A possibilidade de um "super" El Niño na segunda metade de 2026 tem preocupado especialistas e produtores rurais. O fenômeno, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, pode alterar o regime de chuvas em diversas regiões do Brasil, afetando a produção agrícola e refletindo no preço dos alimentos.
Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), há 81% de probabilidade de que o El Niño atinja a categoria de "super" ainda em 2026. Caso a previsão se confirme, este poderá ser o evento mais intenso registrado desde o início das medições, em 1950.
No Brasil, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) aponta que o fenômeno deve provocar chuvas acima da média na Região Sul, enquanto áreas do Norte e do Nordeste podem enfrentar precipitações abaixo da média e períodos de seca.
Impactos previstos para Santa Catarina
Em Santa Catarina, a Epagri prevê um inverno marcado por chuvas frequentes, elevada umidade e temperaturas mais amenas. Embora essas condições possam favorecer algumas culturas de inverno, também aumentam o risco de doenças, encharcamento do solo e dificuldades nas atividades de campo.
As hortaliças estão entre as culturas que exigem maior atenção. O alho e a cebola podem sofrer perdas devido ao excesso de umidade, que favorece doenças bacterianas e dificulta o manejo das lavouras. No caso da cebola, o aumento do teor de água nos bulbos também pode reduzir o tempo de armazenamento após a colheita.
Entre os grãos de inverno, o trigo pode registrar maior incidência de doenças fúngicas e dificuldades durante fases importantes do desenvolvimento. Já a aveia tende a ser beneficiada pela umidade no início do ciclo, desde que não ocorram longos períodos de encharcamento. A cevada também pode apresentar bom desempenho, dependendo das condições climáticas ao longo da safra.
Produção já apresenta estimativas de queda
Mesmo antes da confirmação dos efeitos do El Niño, a Epagri/Cepa já projeta redução na produção de algumas culturas em Santa Catarina.
As estimativas iniciais indicam:
- Alho: queda de 13% na área plantada e redução de 17% na produção, estimada em 7,3 mil toneladas;
- Cebola: redução de 9% na área cultivada e na produção, prevista em 576,4 mil toneladas;
- Trigo: diminuição de cerca de 27% na área plantada e de 29% na produção, estimada em 271 mil toneladas.
Por outro lado, algumas culturas apresentam perspectivas positivas. A produção de aveia-grão deve crescer 12,8%, impulsionada pela ampliação da área cultivada, enquanto a cevada pode registrar aumento de 3,8% na produção.
Reflexos no preço dos alimentos
Os efeitos do fenômeno podem ultrapassar as propriedades rurais e chegar ao bolso do consumidor. De acordo com o pesquisador do Insper Agro Global, Leandro Gilio, alterações nas janelas de plantio e perdas durante a colheita tendem a reduzir a oferta de alimentos, favorecendo a alta dos preços.
Além da agricultura, o Inmet alerta que a pecuária também pode ser impactada, principalmente nas regiões Centro-Oeste e Norte do país, onde a redução das chuvas pode comprometer a disponibilidade de água e de pastagens.
Epagri orienta produtores
Diante da possibilidade de um evento climático intenso, a Epagri informou que está acompanhando continuamente as condições de clima e solo e reforçando as orientações aos agricultores catarinenses.
A recomendação é que os produtores acompanhem os boletins meteorológicos, adotem práticas de conservação do solo, como plantio direto e terraceamento, e mantenham contato com os escritórios da instituição para receber orientações técnicas durante o período de maior risco climático.
Fonte: NSC
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