NO AR!

Turma Da Nova

Com Alex Junior

Mosquito da dengue consegue “aprender” e mudar comportamento diante de repelentes, aponta estudo

Pesquisa internacional mostra que o Aedes aegypti é capaz de associar cheiros à alimentação em laboratório

06 de Julho de 2026 12:00

Um estudo conduzido por pesquisadores da França e dos Estados Unidos revelou que o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, é capaz de aprender a partir de experiências anteriores e modificar seu comportamento. Em condições de laboratório, os insetos passaram a tolerar o contato com repelente após associarem o cheiro do produto à alimentação.

A pesquisa foi publicada em maio na revista científica Journal of Experimental Biology e investigou se insetos transmissores de doenças conseguem aprender e memorizar informações. Resultados semelhantes já haviam sido observados em outros estudos com mosquitos e percevejos vetores da doença de Chagas, indicando que experiências prévias podem alterar o comportamento desses insetos.

Em entrevista à Rádio França Internacional, o entomólogo Claudio Lazzari, do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França (CNRS), explicou que os experimentos foram realizados com fêmeas do Aedes aegypti utilizando o DEET (N,N-dietil-3-metilbenzamida), um dos repelentes mais usados e considerados mais eficazes no mundo, desenvolvido na década de 1940.

Como o mosquito foi “treinado”

Para testar a capacidade de aprendizado, os cientistas aplicaram um método clássico da psicologia experimental baseado na associação entre estímulos. Inicialmente, os mosquitos recebiam alimento e, logo em seguida, eram expostos ao cheiro do repelente. Após a repetição do processo, os insetos passaram a associar o odor do produto à alimentação.
“Os mosquitos estavam tão estimulados a se alimentar que aceitaram o repelente sem escapar. Para eles, a comida e o cheiro do repelente eram percebidos ao mesmo tempo”, explicou Lazzari. Segundo o pesquisador, o resultado foi o mesmo tanto com sangue quanto com açúcar, já que os mosquitos se alimentam de néctar e de sangue.

Apesar da descoberta, os pesquisadores fazem um alerta importante: os resultados foram obtidos exclusivamente em laboratório. Isso não significa que o repelente tenha perdido eficácia nem que os mosquitos estejam desenvolvendo resistência ao DEET na natureza.
De acordo com os cientistas, o estudo contribui para compreender melhor como o aprendizado influencia o comportamento do mosquito, mas o uso de repelentes segue sendo uma das principais formas de prevenção contra picadas e doenças como dengue, chikungunya e febre amarela.

 

Fonte: Sbt News

Recomendar correção

CORREÇÕES

voltar