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Com Alex Junior

"Mamãe Noel" é absolvida após júri reconhecer legítima defesa em caso que comoveu SC

Após quase seis anos de tramitação, jurados reconheceram a legítima defesa de Soeni Cardoso Borges

19 de Junho de 2026 14:00

Soeni Cardoso Borges, conhecida como "Mamãe Noel", acusada de matar o marido durante uma discussão em Campo Alegre, no Norte catarinense.

‘Mamãe Noel’ absolvida alegou legítima defesa ao matar “Papai Noel” Foto: Reprodução/Arquivo/
Após quase seis anos de espera, o Tribunal do Júri da comarca de São Bento do Sul absolveu, por unanimidade dos jurados (quatro votos a zero), Soeni Cardoso Borges, de 54 anos, conhecida na região como "Mamãe Noel". O julgamento ocorreu nesta quinta-feira (18) e encerrou um dos casos de maior repercussão no Planalto Norte catarinense nos últimos anos.

Soeni era acusada pela morte do marido, Carlos Emir Meier, que atuava como "Papai Noel" em ações beneficentes realizadas pelo casal. O crime aconteceu na noite de 20 de dezembro de 2020, no bairro São Miguel, em Campo Alegre, apenas cinco dias antes do Natal.
Segundo os autos, Carlos foi atingido por um golpe de faca no peito durante uma discussão dentro da residência do casal. Ele chegou a ser socorrido e encaminhado ao Hospital São Luís, mas não resistiu aos ferimentos e morreu durante a madrugada.

O caso ganhou grande repercussão em Santa Catarina devido ao trabalho voluntário desempenhado pelo casal, conhecido por levar alegria e distribuir presentes a crianças carentes da região durante o período natalino.
Defesa apresentou histórico de violência doméstica

Durante o julgamento, o Ministério Público sustentou a acusação de homicídio. Já a defesa argumentou que Soeni agiu em legítima defesa, após anos sofrendo violência doméstica.
A advogada Camila Vizoto apresentou aos jurados documentos e relatos que apontavam um histórico de agressões no relacionamento, incluindo uma condenação anterior de Carlos por violência contra a esposa.

De acordo com a versão da defesa, a discussão teve início após o casal retornar de uma ação solidária e encontrar a casa alagada em razão de um problema em uma máquina de lavar. Ao cobrar novamente o marido sobre o defeito, Soeni teria sido agredida fisicamente.

Ainda conforme a defesa, diante da agressão, a mulher utilizou uma faca para se proteger, desferindo um único golpe contra o companheiro.

Decisão emociona ré

Ao ouvir a decisão dos jurados, Soeni não conteve a emoção e chorou no plenário. O julgamento durou cerca de nove horas até o anúncio da absolvição.

Após a sessão, a advogada Camila Vizoto afirmou que a decisão representa um importante reconhecimento da situação vivida por mulheres vítimas de violência doméstica.
"Hoje é um dia histórico para São Bento do Sul. Justiça foi feita. Uma mulher vítima de violência doméstica teve sua legítima defesa reconhecida", declarou.

Com a decisão do júri, o processo iniciado em 2020 chega ao fim. O Ministério Público informou que não irá recorrer da sentença.

Fonte: ND+

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