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Brasil registra 399 feminicídios no 1º tri de 2026, maior número da série histórica

Brasil registra 399 feminicídios no 1º tri de 2026, maior número da série histórica

06 de Maio de 2026 08:00

Uma mulher foi vítima de feminicídio no Brasil a cada 5 horas e 25 minutos no primeiro trimestre de 2026, em média. Segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, o país registrou 399 vítimas entre janeiro e março.

No mesmo período do ano passado, foram contabilizados 371 casos, o que representa uma alta de 7,5%. Em uma década, o número de vítimas nos primeiros três meses do ano mais que triplicou: passou de 125, em 2015, para os atuais 399. O total supera, inclusive, os picos registrados em 2022 (372 vítimas) e 2024 (384 vítimas).

O estado de São Paulo lidera em números absolutos, com 86 mortes, seguido por Minas Gerais (42), Paraná (33) e Bahia (25). Entre os meses, janeiro foi o mais letal, com 142 casos. Em seguida aparecem março, com 134, e fevereiro, com 123.


No acumulado de 2025, o número de feminicídios também bateu recorde no país: foram 1.470 casos de janeiro a dezembro, superando os 1.464 registros de 2024, que até então representavam a maior marca.

Os dados são compilados pelo Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), com base em informações enviadas pelos estados, pelo Distrito Federal, pela Polícia Federal e pela Polícia Rodoviária Federal.

Segundo a advogada Daniele Akamine, especialista em políticas públicas e ex-coordenadora de Políticas para Mulheres da capital paulista, os números indicam falhas na atuação do Estado.

“A maior lacuna está na prevenção secundária, ou seja, em intervir com força quando a violência já começou, mas antes do feminicídio. Há também falhas na prevenção primária, como escolarização em igualdade de gênero, campanhas permanentes, programas com homens e meninos e políticas de autonomia econômica e moradia para mulheres, que ainda são fragmentadas e intermitentes. Na resposta após o feminicídio, houve avanços na qualificação do tipo penal, investigação e punição, mas isso não salva as vítimas que já morreram”, afirma.
Segundo a especialista, o principal gargalo está no período em que as mulheres sofrem outras violências, anterior ao crime.

“Mulheres passam anos denunciando, com múltiplos boletins de ocorrência, e o Estado não consegue reorganizar seus recursos para tratar essas trajetórias como prioridade máxima de proteção”, diz.
Ela afirma ainda que o aumento de penas, por si só, raramente reduz a criminalidade sem a garantia de investigação eficaz e prevenção. “No caso do feminicídio, a violência é anunciada ao longo de anos. Atuar apenas no momento final ignora as janelas de oportunidade em que a política pública poderia ter protegido a vítima.”

Entre os principais problemas apontados estão a concentração de serviços em grandes centros, com menos de 10% dos municípios contando com Delegacias de Defesa da Mulher, a falta de articulação entre políticas públicas, a ausência de orçamento estável e de capacitação continuada de profissionais, além da fragilidade na rede de apoio psicossocial.

Fonte: sbtnews

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