“O que me deixa mais satisfeito é que os novos aproveitaram a oportunidade, obviamente aumenta a dúvida para a lista definitiva, porque Igor Thiago foi bem, Léo Pereira foi bem, Danilo (foi) bem, Endrick, muito bem, Kaiki.”
Os elogios são de Carlo Ancelotti, após a partida de ontem, em Orlando. A vitória contra a Croácia, muito enfraquecida, comparada à equipe de 2022, no Catar, que eliminou o sem rumo Brasil de Tite.
“Foi uma vitória importante, a equipe jogou muito bem, sólida, intensa.
“Ideia era jogar assim, tem coisas que temos que melhorar, mas como disse depois da França, estamos no caminho correto.
“Estou feliz, motivado, confiante e tranquilo. Temos boa estrutura de equipe, bom ambiente, estamos trabalhando muito bem. Agora estamos tranquilos.”
Contra a Croácia foi a última ‘de verdade’ antes da Copa do Mundo. Panamá e Egito não contam, os próximos adversários, pela fragilidade de seus elencos. São jogos para aumentar a confiança, com vitórias obrigatórias.
Endrick, Igor Thiago, Luiz Henrique, Martinelli, João Pedro, Matheus Cunha, Rayan, Kaio Jorge, Vinicius Júnior se encaixam muito melhora ao que o técnico italiano quer na Copa do Mundo.
Foi uma derrota marcante para Neymar.
A vitória do Brasil por 3 a 1, diante da Croácia, nos Estados Unidos, teve tudo o que o camisa dez do Santos, que divide o país, não está entregando.
Danilo comemora o primeiro gol do Brasil. Meio-campo mais vibrante, marcador, versátil. O Brasil de Ancelotti mostra energia coletiva
Foto: Nathan Ray Seebeck/Reuters
O time mostrou vibração, explosão muscular, espírito coletivo, sem firulas, objetividade, força para atacar e para recompor, preencher os espaços.
Ninguém tem o privilégio que Neymar desfruta no Santos. De ficar do meio para a frente esperando a bola chegar, sem ter de marcar ninguém.
Ancelotti nunca montou o time para servir a um jogador.
Na vitória justa, merecida do Brasil, foram muito significativas as participações de Danilo e Endrick.
O primeiro entrou na vaga do contundido, e óbvio, Bruno Guimarães. Mostrou o mesmo poder de marcação do titular de Ancelotti. Mas o seu potencial físico e técnico o faz onipresente.
Tanto cercando travando os principais talentos adversários, como chegando com personalidade, cabeça erguida para concluir.
Ele deu ritmo mais veloz, mais objetivo ao meio-campo brasileiro.
E marcou 1 a 0 para a Seleção, aos 46 minutos do primeiro tempo. Completou uma jogada típica das equipes treinadas por Ancelotti.
A Croácia pressionava, quando o Brasil retomou a bola na defesa. Matheus Cunha lançou de curva para Vinicius Júnior. Ele ganhou da zaga, driblou três zagueiros que vinham desesperados e tocou para a área. Onde deveria estar um meia, um centroavante.
Mas quem estava era o volante Danilo.
Com gosto ele bateu na bola, vencendo o espetacular goleiro Livakovic.
E seguiu atuando como se fosse um veterano na Seleção, mesmo tendo apenas 24 anos.
Endrick entrou apenas aos 30 minutos do segundo tempo. Não tinha atuado na derrota contra a França. Tinha de aproveitar ao máximo esse quarto final contra os croatas.
Danilo. Para acabar com a burocracia de Casemiro e Bruno Guimarães
Rafael Ribeiro/CBF
Viu, assustado, como o restante do time, a Croácia empatar o jogo com Majer, se aproveitando da lentidão do zagueiro Danilo. 1 a 1, aos 38 minutos do segundo tempo.
O clima tenso dominava o Camping World Stadium, em Orlando.
Até que Endrick usa a força física e velocidade para dar se antecipar a Sutalo. O zagueiro croata decidiu, de forma infantil, empurrar o brasileiro. Pênalti conseguido na explosão muscular dos 19 anos do brasileiro.
Ele queria bater o pênalti.
Mas, do banco de reservas, Ancelotti foi firme.
A cobrança deveria ser de quem está acostumado a cobrar.
O italiano sabia o quanto precisava da vitória.
Igor Thiago mostrou personalidade e bateu com convicção. 2 a 1, Brasil, aos 42 minutos.
Os croatas são conhecidos no futebol pela aplicação, luta até o final das partidas.
E o país que eliminou o Brasil da Copa do Catar se abriu, buscando empatar.
Mas Endrick entrou outra vez em ação. Ele acompanhou a luta de Igor Thiago com a zaga europeia. Ficou com a bola e, com a consciência de quem nasceu para jogar futebol, deu um passe excepcional para Martinelli.
O chute saiu rasante para o fundo do gol de Livakovic.
3 a 1.
Os números mostraram 13 arremates brasileiros. Mas posse de bola de 46%.
Ou seja, o domínio do jogo. O segurar a bola, muitas vezes de inutilidade atroz não teve espaço hoje.
O Brasil que disputará a Copa será uma equipe reativa, ou seja, que tem como foco contragolpes mortais, com jogadores objetivos, prontos para dar piques de 30, 40 metros.
A vitória dá moral para Ancelotti fazer o que quiser na convocação do dia 18 de maio.
Uma derrota ou empate hoje seria vitória de Neymar.
A pressão sobre o técnico aumentaria muito pela convocação do veterano de 34 anos.
Daria condições para ele aumentar a pressão, na sua campanha digital por sua convocação.
Ancelotti se cansou dessa situação.
Tanto que não quer mais responder sobre o tema.
Ele quer falar sobre os atletas que está convocando.
E teve, óbvio, de falar sobre Danilo e Endrick, a quem ele deve a vitória brasileira.
“Como disse, os novos que estavam aqui aproveitaram as oportunidades. Toda a comissão está contente com o trabalho feito pelos novos jogadores, incluindo Endrick e Danilo”, falou Ancelotti, evitando se estender sobre a dupla.
Ele considerava que são atletas para a Copa de 2030.
Só que eles pedem passagem agora.
O técnico italiano sabe, melhor do que ninguém.
Neymar em forma, bem fisicamente, é um jogador que tem de ir para a Copa.
Mas se ele seguir com problemas musculares, frágil, sem render para o time não será chamado.
Danilo e Endrick provaram.
É possível imaginar o Brasil sem Neymar.
Algo impensável antes da chegada de Ancelotti.
Acabou a dependência do jogador midiático...
Fonte: R7
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