Para além do petróleo, o fluxo de outros produtos é diretamente afetado pelo fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã. O país está em guerra com os Estados Unidos e Israel desde o dia 28 de fevereiro.
Localizado entre o Irã e Omã, o Estreito de Ormuz conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico. Na prática, qualquer interrupção na região limita o fluxo do comércio internacional, pressionando os preços do petróleo no mercado global.
O estreito conta com aproximadamente 50 km de largura na sua entrada e saída e aproximadamente 33 km em seu ponto mais estreito. São duas rotas marítimas, com 3 km cada.
Quando considerado apenas o petróleo, cerca de 20% da produção mundial passa por ali. Essa dependência torna a passagem ainda mais estratégica para a produção global, especialmente para a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), que reúne países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Kuwait.
Quais são os outros produtos afetados pelo fechamento?
Outros produtos que dependem da passagem incluem fertilizantes, necessários para a agricultura. Dados da ONU (Organização das Nações Unidas) apontam que cerca de um terço da produção, como ureia, potássio, amônia e fosfatos, são escoados pela rota.
Com o início da guerra, os envios tiveram uma forte queda e podem afetar a agricultura nos próximos meses, elevando os preços.
O enxofre também aparece na lista de produtos prejudicados com o fechamento de Ormuz. Produzido para exportação na região do Golfo, cerca de metade do comércio marítimo do produto utiliza a passagem.
O enxofre pode ser usado como fertilizante agrícola. Outra atribuição é para o processamento de metais comuns na produção de baterias, como cobre, cobalto e níquel.
O Estreito de Ormuz ainda é importante para a passagem de derivados petroquímicos, como como metanol e etileno, necessários para a produção de antibióticos, antibióticos e vacinas. Atualmente, os países que integram o Conselho de Cooperação do Golfo respondem por aproximadamente 6% da produção petroquímica no mundo.
Por fim, o fechamento de Ormuz impacta o escoamento de cerca de um terço da produção de gás hélio.
O subproduto, obtido a partir da produção de gás natural, é usado no resfriamento de ímãs em equipamentos de ressonância magnética em hospitais. Ele também é empregado na fabricação de wafers semicondutores, que dão origem aos microchips presentes em computadores, veículos e eletrodomésticos.
Irã confirma morte de comandante da Marinha
A Guarda Revolucionária do Irã confirmou, nesta segunda-feira (30), a morte do comandante da Marinha, responsável por fechar o estreito de Ormuz, Alireza Tangsiri.
A morte de Tangsiri foi anunciada na última quinta-feira (26) por Israel e confirmada apenas nesta segunda-feira pela agência de notícias estatal iraniana Irna.
O comandante era considerado peça-chave na estratégia iraniana no golfo Pérsico. Tangsiri foi responsável pelo fechamento do estreito de Ormuz à maior parte da navegação internacional.
De acordo com fontes do The New York Times, ele foi atingido enquanto estava escondido em um apartamento com outros oficiais da Guarda Revolucionária na cidade de Bandar Abbas, no sul do Irã.
Na quinta-feira, após o anúncio de Israel, os Estados Unidos confirmaram a morte de Tangsiri, em comunicado do Comando Central dos EUA (Centcom, na sigla em inglês). De acordo com o órgão, a morte do militar “tornou a região mais segura”.
Fonte: R7
Recomendar correção