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Com Josiel De Assis

MPSC lança Mapa do Feminicídio em Santa Catarina durante Coletiva ACAERT

30 de Março de 2026 14:45

O Ministério Público de Santa Catarina está realiza nesta segunda-feira (30), desde às 14h, mais uma edição da Coletiva promovida pela Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão. O destaque do encontro é o lançamento do Mapa do Feminicídio em Santa Catarina, apresentado pela procuradora-geral de Justiça, Vanessa Cavallazzi.

A coletiva, com transmissão ao vivo em áudio e vídeo, conta ainda com a participação dos promotores de Justiça Simão Baran Junior e Chimelly Marcon. A mediação é do jornalista Kadu Reis.

Um retrato inédito da violência de gênero

O Mapa do Feminicídio é uma ferramenta inédita que reúne dados oficiais e informações de investigações para traçar um panorama detalhado da violência letal contra mulheres no estado. O estudo mostra onde, como, quando e em que contextos os crimes ocorrem, identificando padrões territoriais, fatores de risco e dinâmicas recorrentes.

A análise abrange o perfil das vítimas e dos agressores, os vínculos entre eles, a existência de histórico de violência, o uso de medidas protetivas e as circunstâncias dos crimes. Também são considerados elementos como local, horário, meio empregado, presença de testemunhas e consumo de álcool ou drogas.

Dados revelam gravidade e interiorização dos casos

Entre 2020 e 2024, com atualização até 2025, Santa Catarina registrou 596 mortes violentas de mulheres. Em 396 casos, a motivação foi a violência de gênero — ou seja, a cada três mulheres assassinadas no estado, duas foram vítimas de feminicídio.

Os dados apontam que 71% dos crimes ocorreram em contextos íntimos, geralmente dentro de relações afetivas marcadas por controle, violência e dominação.

Outro ponto de destaque é a interiorização da violência. Municípios menores apresentam taxas proporcionais mais elevadas. Cidades como Caçador, Lages e Chapecó aparecem entre as regiões com maior incidência no período analisado.

Nos municípios com menos de 15 mil habitantes, a taxa média foi de 2,20 mortes por 100 mil mulheres, superior à de cidades médias (1,76) e grandes centros (1,31). A média estadual é de 1,71.

Histórias que evidenciam o problema

O levantamento também traz casos emblemáticos que ilustram diferentes contextos da violência:

- Ana Kémilli, de 14 anos, assassinada em Campo Belo do Sul, evidencia a vulnerabilidade de meninas no interior;
- Mônica, que viveu três décadas de violência doméstica e foi morta ao tentar romper o relacionamento;
- Eveline, assassinada pelo marido em Blumenau diante dos filhos, que se tornaram órfãos do feminicídio;
- Catarina Kasten, morta em Florianópolis por um desconhecido, mostrando que a violência também ocorre fora de relações íntimas.

Ferramenta para políticas públicas

Desenvolvido pelo Núcleo de Enfrentamento a Violências e Apoio às Vítimas (NEAVIT) e pelo Escritório de Ciências de Dados Criminais (EDC), o mapa busca transformar dados em informação qualificada para orientar ações concretas.

Mais do que apresentar estatísticas, o estudo pretende subsidiar políticas públicas, fortalecer estratégias de prevenção e qualificar a atuação institucional no enfrentamento à violência de gênero.

Como complemento, o MPSC também lança a websérie “Ausências”, que dá voz e rosto às vítimas, mostrando histórias reais por trás dos números.

A iniciativa reforça a necessidade de ações integradas e contínuas para combater um problema considerado estrutural e persistente em Santa Catarina.

Fonte: Nova FM 101.1 com informações Mapa do Feminicídio/Acaert

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