Novas imagens de câmeras corporais da Polícia Militar, divulgadas pelo programa Fantástico neste domingo (22), mostram o comportamento do tenente-coronel Geraldo Neto após a morte da policial militar Gisele Alves Santana, ocorrida em fevereiro, na região do Brás, em São Paulo.
Gisele foi encontrada com um tiro na cabeça dentro do apartamento do casal. Um mês após o crime, Geraldo Neto se tornou réu por feminicídio e fraude processual. De acordo com a investigação, ele teria não apenas cometido o crime, mas também alterado a cena.
Versão contradita pela perícia
Nas imagens, o tenente-coronel afirma que estava no banho quando ouviu um barulho e encontrou a esposa caída, sustentando a versão de suicídio. No entanto, a perícia apontou inconsistências: Gisele não teria como alcançar a arma no local indicado, e objetos na sala impediriam a visão descrita por ele.
Segundo o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, a atuação dos primeiros policiais foi decisiva para o avanço das investigações.
Intervalo suspeito e possível manipulação da cena
Uma vizinha relatou ter ouvido o disparo por volta das 7h28, mas o primeiro contato feito por Geraldo Neto ocorreu apenas às 7h55 — inicialmente para seu comandante, e só depois para o socorro.
Para o delegado Lucas Lopes, esse intervalo pode ter sido usado para alterar a cena do crime.
As imagens também mostram o momento em que o oficial insiste em tomar banho, mesmo após o ocorrido, levantando suspeitas de possível eliminação de provas.
Relação marcada por violência
A investigação aponta indícios de uma escalada de violência no relacionamento, incluindo abuso psicológico, físico e financeiro. Mensagens obtidas pela polícia indicam que Gisele queria a separação, contrariando a versão apresentada pelo acusado.
Dias antes do crime, o tenente-coronel teria se descrito como “macho alfa” e exigido comportamento submisso da esposa.
Novas denúncias agravam o caso
Após a morte de Gisele, outras denúncias vieram à tona. Uma policial militar relatou ter sido vítima de assédio sexual por parte de Geraldo Neto. Segundo o depoimento, ele tentou forçar aproximações e, após ser rejeitado, a transferiu de batalhão.
Outras quatro policiais também já haviam acusado o oficial de assédio moral em anos anteriores. Apesar das denúncias, ele não havia sido punido.
Investigação segue em andamento
A Polícia Civil segue investigando o caso, inclusive para apurar se houve violência sexual antes da morte, após a identificação de material genético no corpo da vítima.
A defesa do tenente-coronel mantém a versão de suicídio, mas, segundo os investigadores, as evidências técnicas tornam essa hipótese improvável.
Fonte: globo
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