As Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) afirmaram que lançaram ataques simultâneos contra alvos em Teerã, no Irã, e em Beirute, no Líbano, na madrugada desta terça-feira (3). As ações, segundo o grupo, miram militares do regime iraniano e do grupo Hezbollah.
A operação simultânea acontece pouco tempo após as tropas israelenses emitirem um alerta de evacuação para moradores de diversas regiões do Líbano, incluindo Beirute. Esse é o segundo dia seguido de bombardeios contra o país — onde o Hezbollah é dominante. Até o momento, os ataques já deixaram 52 mortos e outros 154 feridos.
Em relação ao Irã, os ataques israelenses contam com auxílio das Forças Armadas dos Estados Unidos. Os militares operam na costa do país, de onde lançam mísseis contra instalações de comando e controle do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, capacidades de defesa aérea, locais de lançamento de mísseis e drones, e aeródromos.
“Como o Secretário da Guerra afirmou, as forças dos Estados Unidos estão atacando o Irã de forma cirúrgica, esmagadora e sem pedir desculpas. A Operação Epic Fury é focada em destruir mísseis ofensivos iranianos”, disse o Comando Central dos Estados Unidos.
Além dos alvos dentro do território iraniano, as tropas norte-americanas miram navios no Golfo de Omã. Segundo o Comando, 11 embarcações de Teerã que transitavam pela região já foram destruídas. “A liberdade de navegação marítima sustenta a prosperidade econômica. O regime iraniano tem assediado e atacado navios internacionais no Golfo de Omã por décadas. Esses dias acabaram”, disse.
O que está acontecendo no Oriente Médio?
O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no sábado (28). O bombardeio, que deixou mais de 200 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.
Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
Na última semana, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, que deixaram mais de 500 mortos, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.
O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".
Fonte: sbtnews
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