O dólar fechou em queda de 1,01% nesta quarta-feira (8), cotado a R$ 5,1028 — menor valor em dois anos. Na mínima do dia, chegou a R$ 5,0654. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, subia 2,14% na reta final do pregão, aos 192.288 pontos, e se aproximava de um novo recorde.
O movimento reflete o ânimo dos investidores após o anúncio de um cessar-fogo de duas semanas entre Estados Unidos e Irã. Apesar da fragilidade do acordo, a medida ajudou a reduzir parte das tensões e influenciou o comportamento dos preços no mercado internacional.
- Um dos pontos centrais é que o cessar-fogo incluiu a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do petróleo global. Isso gerou efeito imediato no preço da commodity, que despencou na noite de terça-feira.
* Por volta das 16h desta quarta, o barril tipo Brent, referência global, recuava 11,06%, para US$ 97,18. Já o WTI, usado como referência nos EUA, caía 14,25%, para US$ 96,86.
- O cessar-fogo foi confirmado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, pelo governo iraniano e pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atua como mediador do conflito.
- Enquanto isso, as negociações por um acordo definitivo de paz devem ocorrer em Islamabad, capital paquistanesa, na próxima sexta-feira (10).
- Os rumos da guerra, porém, seguem incertos. Na manhã desta quarta, foram registrados ataques no Líbano, em ilhas iranianas e em países do Golfo Pérsico.
- A trégua previa que, durante duas semanas, EUA e Israel suspendessem ataques ao território iraniano. Com os novos episódios, Ormuz voltou a ser fechado, e o Irã passou a afirmar que o cessar-fogo foi rompido. Ainda assim, o dólar manteve a queda e a bolsa seguiu em alta.
- Além da questão geopolítica, investidores também ficaram de olho na ata da última reunião do Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA. O documento detalha as discussões que levaram à decisão de manter os juros no país.
Dólar
Acumulado da semana: -0,09%;
Acumulado do mês: -0,46%;
Acumulado do ano: -6,08%.
Ibovespa
Acumulado da semana: +0,11%;
Acumulado do mês: +0,42%;
Acumulado do ano: +16,84%.
Cessar-fogo no Irã
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira (7) uma trégua temporária nas tensões com o Irã. Segundo ele, o governo americano decidiu adiar por duas semanas um ultimato que previa novos ataques, abrindo espaço para negociações entre os dois países.
Trump havia estabelecido prazo até 21h de ontem (horário de Brasília) para que o Irã aceitasse um acordo e garantisse a reabertura completa da passagem marítima.
Em publicação na rede Truth Social, o presidente americano afirmou que resolveu suspender temporariamente as ações militares após um pedido de autoridades do Paquistão, que atuam como mediadoras nas conversas entre os dois países.
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, anunciou que as negociações ocorrerão em Islamabad, capital do país. O objetivo é buscar um entendimento mais amplo entre as partes.
De acordo com autoridades da Casa Branca, o acordo de trégua também envolve Israel. Veículos da imprensa israelense afirmaram ainda que o cessar-fogo inclui o Líbano.
Trump declarou que os objetivos militares dos EUA no Irã já foram alcançados e que as negociações para um acordo definitivo de paz estariam avançadas.
Segundo ele, Washington recebeu de Teerã uma proposta com 10 pontos, considerada uma base possível para negociação. O presidente afirmou ainda que a maior parte das divergências entre os dois países já teria sido resolvida.
Do lado iraniano, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, confirmou que um acordo foi fechado. Ele afirmou que o Irã vai suspender ações defensivas, desde que os ataques contra o país também sejam interrompidos.
Araghchi acrescentou que, durante o período de trégua, a navegação pelo Estreito de Ormuz será considerada segura, embora com algumas condições.
Ata do Fed
A ata da reunião de 17 e 18 de março do Federal Reserve (Fed) mostra que parte dos dirigentes do banco central passou a considerar a possibilidade de elevar os juros caso a inflação continue acima da meta de 2%.
Segundo o documento, isso poderia ocorrer sobretudo se o conflito no Oriente Médio mantiver os preços do petróleo pressionados.
“Alguns participantes julgaram haver um forte argumento”, diz a ata, para indicar na comunicação oficial que “ajustes para cima na faixa da meta para a taxa dos fundos federais podem ser apropriados se a inflação permanecer em níveis acima da meta”.
Ao mesmo tempo, o documento aponta que a maioria dos dirigentes ainda vê espaço para cortes de juros no cenário básico. Isso porque um conflito prolongado poderia reduzir o crescimento econômico e enfraquecer o mercado de trabalho.
“A maioria dos participantes levantou a preocupação de que um conflito prolongado no Oriente Médio poderia levar a um abrandamento ainda maior nas condições do mercado de trabalho”, segundo o documento, indicando o que poderia justificar reduções adicionais nos juros.
Na reunião de março, o Fed manteve a taxa básica entre 3,50% e 3,75%, sinalizando que prefere aguardar mais clareza sobre qual risco será maior: pressões inflacionárias ou desaceleração da economia.
A ata também aponta que os técnicos do banco central passaram a ver maior risco de crescimento mais fraco e inflação mais alta do que o previsto anteriormente.
Entre os fatores citados estão os efeitos econômicos da guerra no Oriente Médio, mudanças em políticas governamentais e o avanço da inteligência artificial.
Mercados globais
Os principais índices de Wall Street subiam para níveis próximos das máximas de um mês nesta quarta-feira.
Por volta das 11h45 (horário de Brasília), o Dow Jones subia 2,81%, para 47.893,45 pontos, enquanto o S&P 500 ganhava 2,36%, a 6.772,76 pontos, e o Nasdaq tinha alta de 2,81%, para 22.635,36 pontos.
No pré-mercado, os contratos futuros do S&P 500 subiam 2,7%, enquanto os do Dow Jones avançavam 2,6%. Já os futuros do Nasdaq registravam alta de 3,4%.
Na Europa, os mercados fecharam com ganhos expressivos. O índice pan-europeu STOXX 600 subiu 3,7%, para 612,32 pontos, registrando seu maior ganho diário em um ano.
As bolsas regionais também registraram alta, com o DAX da Alemanha subindo 4,7%, enquanto o CAC 40 da França ganhou 4,5%.
Na Ásia, os mercados também fecharam em alta. O Hang Seng, de Hong Kong, subiu 3,1%, para 25.893,02 pontos, enquanto o Shanghai Composite, da China, avançou 2,7%, para 3.995,00 pontos.
O Nikkei 225, do Japão, terminou o pregão com alta de 5,4%, aos 56.308,42 pontos. Já o Kospi, da Coreia do Sul, registrou ganho de 6,9%, aos 5.872,34 pontos.
Fonte: G1
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