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Hoje, 21 de Outubro de 2017

Prêmio Nobel conta como uma pergunta mudou a forma de combater o câncer no mundo

12 de Agosto de 2017 16:00

O cientista israelense Aaron Ciechanover chegou ao Brasil com a missão de inspirar novas gerações de cientistas. A visita é parte de um projeto do Prêmio Nobel que leva grandes mentes a centros de pesquisa ao redor do mundo para compartilhar suas histórias. A movimentação dentro e fora do auditório na Universidade de Brasília na manhã de quinta-feira (10), lotado de jovens, deixou evidente o interesse em ouvir a trajetória de um homem que, apostando na própria curiosidade e com muita persistência, fez descobertas científicas que hoje impactam milhões de pessoas. “É uma história longa, de quase 40 anos”, adiantou.

O grande feito de Ciechanover foi detectar um sistema chamado Ubiquitina, responsável por eliminar moléculas de proteínas danificadas ou desnecessárias para o organismo, conhecimento que mais tarde, descobriu-se, está intimamente ligado ao câncer e às doenças degenerativas. A identificação e mapeamento desse sistema que funciona como o “caminhão de lixo do corpo” lhe rendeu o Prêmio Nobel em Química em 2004, ao lado dos colegas Avram Hershko e Irwin Rose.

“Começou com a curiosidade, com uma pergunta, com a identificação de uma pergunta. E só então houve a formação de um sistema experimental que nos permitiu chegar aonde estamos hoje, que não é o fim, mas um novo começo, com o desenvolvimento de medicamentos que já estão sendo usados ao redor do mundo, salvando vidas e melhorando a qualidade de vida de milhões de pessoas”, disse.
Daí saiu a primeira lição da palestra, em que muitas dicas foram dadas para futuros cientistas. Ciechanover destacou que foram as descobertas de vários pesquisadores que vieram antes dele que viabilizaram os avanços que ele pôde fazer. O cientista que descobriu que as proteínas eram dinâmicas, por exemplo, mas não viu as implicações disso, tornou possível que outros desdobrassem sua descoberta mais a frente.

A descoberta do sistema Ubiquitina quebrou paradigmas biológicos importantes. “As pessoas presumiram por muitas décadas que nós nascemos com 2, 3 quilos, crescemos até os 17, 18 anos, chegando ao nosso peso final, e então carregamos todas as nossas proteínas a partir desse ponto até a nossa morte.”

Foi com muitas metáforas e simplificações que o palestrante conduziu o público ao universo desses componentes fundamentais à vida, para explicar que são essas moléculas que medeiam todas as funções orgânicas. “A proteína é a língua que a natureza fala”, romantizou. “Como a hemoglobina, que transporta o oxigênio, o trato digestivo, os rins, o pulmão, o cérebro, tudo funciona à base de proteínas. O DNA é importante, mas o jogo é jogado pelas proteínas”.

A pergunta certa

A pesquisa começou a partir de uma dúvida baseada em um fato científico que já era conhecido: as proteínas são muito sensíveis a mutações, a radiação, a temperatura. “A pergunta no início era: será que as proteínas do nosso corpo são destruídas?”

O cientista propôs que o público pensasse no que acontece se deixarmos um pedaço de carne em cima da mesa por algumas horas. “Você não vai poder consumi-la mais, pois entra em processo de degradação”. A nossa carne se comporta de forma idêntica a carne de outros animais, como a do boi ou do peixe que comemos, a não ser pelo fato de que está viva. “Então, as nossas proteínas estão vivendo em um ambiente de 37 graus Celsius, que é um ambiente deletério para proteínas. E ninguém havia pensado sobre isso? É um ambiente muito ruim, então sim, as proteínas sofrem danos o tempo todo”.

Com muito estudo, os pesquisadores concluíram que devia haver um mecanismo para remover constantemente, “online”, essas proteínas danificadas. “Também não pensávamos sobre isso, mas os elementos básicos para a vida, a temperatura e o oxigênio, são também os elementos mais tóxicos para as proteínas. É fundamental ter um mecanismo interno que atue entre a necessidade de viver nesse ambiente de 37 graus Celsius – um resultado da evolução, que chegou à temperatura ideal para que as reações bioquímicas necessárias para a vida ocorram – e ao mesmo tempo, com esses elementos que são tóxicos para o nosso corpo.”

“A natureza teve que evoluir de maneira muito sofisticada para remover as proteínas danificadas pela temperatura, oxigênio e outros fatores”, explicou. Além das moléculas danificadas, o corpo remove proteínas inúteis. “Podem ser funcionais, saudáveis, mas precisam ser removidas. Pensem no inverno. Temos a gripe e por causa dela produzimos os anticorpos. E o que fazemos com os anticorpos? Nós vivemos com ele até o próximo inverno? Não, nós removemos eles quando não estamos precisando. Essa lógica vale para vários processos.”

A descoberta

Os primeiros estudos aplicado dos mecanismos de destruição de proteínas, ainda na década de 70, foram em torno dos lisossomos, organelas [partícula limitada por membrana e que ficam dentro das células] que destroem componentes das células. Mas logo os pesquisadores perceberam que os lisossomos não agem de forma específica, portanto eram uma resposta parcial do sistema destrutivo.

“Tinha que ter mais coisa. O lisossomo degrada de uma maneira não seletiva, faltava algo nessa equação. E o que estava faltando era um mecanismo altamente específico. Se há milhões de moléculas de proteínas, de diferentes tipos, - há 20 mil tipos de proteína e cada uma tem entre 2 e 10 milhões de moléculas.
Enfim, não importa, qualquer enzima tem milhões de moléculas. Se uma delas, somente uma, sofre com a radiação, uma mutação, é preciso detectar essa uma molécula defeituosa, “pegá-la” e degradá-la. Ou seja, o mecanismo é muito seletivo para conseguir pegar uma molécula no meio de milhões.”, explicou.

Foi então que os cientistas concluíram que esse mecanismo devia funcionar como um “policial” que fica “vigiando a célula para encontrar aquele ladrão que está flutuando lá dentro”, simplificou.
Uma vez terminada a etapa de identificar todos os lisossomos no laboratório, os cientistas pegaram células vermelhas maduras, as hemácias, “por serem uma área livre de lisossomos, que geravam ruídos e perturbavam o ambiente da célula”, dificultando a compreensão do mecanismo de destruição que estava por ser descoberto. “Achávamos que era a célula ideal e deu certo”. Publ

Fonte: AGÊNCIA BRASIL

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